26.3.10

Nosso mês


Meninas, mulheres e meninas-moças,

Nesse nosso mês, não vou oferecer à vocês um plano de saúde pra que você possa ir sem preocupação ao ginecologista, fazer o seu exame de mama, exame de útero, papa nicolau etc.

Nem vim oferecer um plano SPA, daqueles que por uma quantia fixa você vai ao salão fazer o que quiser no cabelo, nas unhas, massagens mil, drenagem linfática, ofurô com pétalas de rosa, hidromassagem... Vai sonhando... isso não existe.

Eu vim pra dizer parabéns! Pra vocês que são mulheres fortes, determinadas, decididas, guerreiras, companheiras, namoradas, esposas, mãe...

Eu vim dizer parabéns pra você que não é mera mulherzinha!!

Um beijo especial pras Marias Salinas! Algumas das mulheres da minha vida.

Misha

27.2.10

O período que precede o início


Dia 01 de março, segunda-feira próxima é meu aniversário. Essa não! Estou no meu inferno astral!

Sabe aquele período em que você não consegue fazer nada por você mesma, não tem concentração, faz uma retrospectiva do ano anterior e tudo fica invertido?

Atribuir todos os azares, angústia, frustação, raiva e mais sei lá o quê a esse inferno astral, seja talvez meu bode expiatório. Assim, fujo da responsabilidade.

Esse assunto gera polêmica até nos mais conceituados astrólogos filosóficos e estudiosos.

Quando o assunto é inferno astral, você pensa que tudo então é permitido? É. Porque se uma mulher com TPM pode não ser condenada a cadeia porque matou o marido, então no inferno astral muito menos!

Calma, gente, não é bem por aí!

Só tem um probleminha: somos donos de nosso destino e, como os astrólogos devidamente formados filosoficamente sempre dizem, não existe uma influência "benéfica" ou "maléfica" vinda de fora de nós mesmos. Nós fazemos as coisas acontecerem.


Misha

27.10.09

uma hipótese e nada mais...


ah, destino.
um conspirador.
e nunca se sabe se contra ou a favor.
prega em mim suas peças e um quebra-cabeça inteiro é formado por elas.

ah, amor.
um traiçoeiro.
perigo, daqueles certeiro!
faz graça e desgraça.
e há quem com ele se importe.
espertos são aqueles que acreditam na bendita sorte!

mas, oh, quanta coincidência!
se parecem.
se completam.
se merecem...

cumplicidade amedrontadora.
o destino tem um pacto com o amor...
.
pops :)

28.9.09

"It ain't me, babe"




não dizer a verdade e perder para sempre...
assumir sentimento e desperdiçar mais muitas oportunidades...
silencio, pra (res)guardar.
fingir, pra ver no que dá!




e se passar ?
não és o primeiro nem o único!








Pops


:)

12.7.09

9° dia


Você acorda e se depara com um lugar vazio. Aquela pessoa que você tanto ama, não mais está lá.

É impressionante o egoísmo que te toma. Você vai pensar em primeira instância: o que eu vou fazer sozinho agora? Como conseguirei levar minha vida sem esse alguém?

Você se percebe sem rumo, pois a parte que te definia foi embora.

O amor é egoísta, só faz pensar em você.

Agora você troca o tênis pelo chinelo sozinho. Come qualquer coisa o dia todo, todos os dias.
Agora você tem tempo livre demais.
Agora não são mais dois copos que se enchem.
Não são mais dois corpos juntos que se deitam.

O amor é egoísmo puro, inoculado de incompreensão. É a felicidade que o outro trouxe. É o que o outro não mais fará por você.

Num momento você é completo. No outro vai ver seu sofrimento rimado num papel.
Saí, fui me procurar.
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By Misha




11.7.09

Reflita







Ei, você aí, tenho algo importante pra lhe dizer.
Reflita: você gosta de perder suas chaves? Obviamente não.
Você fica feliz ao perder um documento? Mas é claro que não, não é mesmo?
Culpa da falta de atenção, da distração, do ladrão, do furo no bolso da calça, do fecho estragado da mochila, do chaveiro que arrebentou.
Azar.Famosa lei de Murphy.
Você vítima.
Preocupada. Indignada. Revoltada.
Mas isso não é nada.

NADA.

Preocupante mesmo é perder alguém.
Você réu confesso.
O que é a raiva e a indignação perto de uma dor no coração?

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by POPS




26.5.09

"Compro, tenho, logo existo."

Segundo a “teoria do valor-trabalho” descrita em “O CAPITAL”, pelo filósofo Karl Marx, toda e qualquer mercadoria é trocada em proporção ao tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção.

À época, Marx, um dos principais pensadores representantes do século XIX, defendia que o produto do trabalho deve, antes de tudo, responder a algumas necessidades humanas, ou seja, ser útil. Marx chamava-o de valor de uso.

Contrária a esta concepção, Adam Smith, defendia a teoria de que as mercadorias não apenas possuem seu valor de uso, mas também um valor de troca, o qual se assenta na importância atribuída a elas.

Na sociedade contemporânea, a qual estamos inseridos, parece haver um predomínio do segundo valor.

“Compro, logo existo”. Esta parece ser a condição essencial para a lei da sobrevivência. Usar uma calça de marca ou o tênis da moda virou sinônimo de identidade pessoal. O sujeito sente-se engrandecido, inserido na sociedade, fazendo parte de um mundo, onde as pessoas não querem apenas o necessário. Gostam de ostentar o supérfluo.

A publicidade veio ajudar o supérfluo a se impor como necessário. Fala-se de uma obsolescência planejada, segundo a qual, o processo de se tornar obsoleto de um produto é planejado desde a sua concepção, gerando no consumidor, a necessidade de se adquirir um novo produto.

Um produto cria a ilusória e errônea sensação de que, graças a ele, temos mais valor aos olhos alheios. A relação pessoa-mercadoria está invertida; mercadoria-pessoa é o que prevalece agora.

Estamos sendo monitorados pela lei da lógica do consumo. Não mais importa o Ser e sim o Ter. Ter um BMW, uma camisa ou um relógio de marca, é o que nos imprimem valor.

É sob tal condição, que Frei Betto, frade dominicano considerado um dos principais expoentes da Teologia da Libertação, critica a “religião do consumo”. Segundo o sacerdote, o consumismo é a doença da baixa auto-estima, e o pecado original dessa nova “religião” é que, é egoísta; não faz da vida um dom, mas posse.

A tese não carece de lógica. Apenas é uma questão de saber discernir o útil do não-útil e o necessário do não-necessário.

By Misha

12.5.09

O espelho me chamou e eu vi que não era eu "o que" ele refletia. Tentei lavar toda aquela sujeira imunda que eu tinha na cabeça. Tentei enxugar as minhas lágrimas, mas elas me banhavam e ao mesmo tempo não deixaram secar meu cabelo. O travesseiro conheceu o tom do meu choro e depois de cansada adormeci. Foi no dia seguinte, com uma frase ouvida que o sol conheceu meu choro. Desta vez o travesseiro o conheceu em tom mais alto. Depois de me confortar no toque do algoodão decidi me deleitar na xícara do café e no desenho que a fumaça do cigarro desenhava. Nada disso parecia sair de mim. Foi como uma manhã em alfa e saí de casa pra tentar me enxergar em outras pessoas. Mas, elas não me diziam nada, era um vazio só, sem alma. Perdi a noção do tempo e me perdi em mim mesma. Desnorteada pela pulsação acelerada e o cérebro maquinado perambulei sabendo onde iria chegar: a lugar nenhum. Viajei no tumulto das minhas idéias e balbuciei um choro. O dia parecia amanhecer ainda ou a noite não chegar. Comecei a me entreter com o mundo e vi que ele me reconhecia. Apelei e soltei minha voz. Apesar do esforço, ele foi mudo. Quis desnudar a minha pele nua. Encontrei meu erro. Esqueci o meu dia passado sem certos passos. Olhei no espelho e gostei do que vi.

Misha

6.5.09

Lua bonita


Mais uma noite e lá está ela. Linda. Leve. Clara. Digna. Reina absoluta entre outros milhares de suas mini-cópias. Musa inspiradora. Seus silenciosos conselhos têm essência do que há de melhor. E nem lhe peço...Não, não é necessário! Ela sabe. Sabe o que quero, o que penso, o que aspiro e o que respiro. Poderosa acompanhante. Insubstituível. Eu lhe falto, ela perdoa. Eu não a vejo, ela se mostra. Ela faz charme, se esconde. Ela pode. Sai da míngua e se renova. Cresce e aparece. Mais bela. Mais brilhante. Mais forte. Quem lhe fala é o meu amor. Solidão que nada. Estou pra você. Luz pra mim. Energia. Coragem e medo. Pode e impede. Cria e destrói. Acolhe e abandona. Ó poderosa dama de fases. És rainha. Inspiração. Mistério do universo. Perto e distante. Pena. "Deixa São Jorge no seu jubaio amontado e vem cá para o meu lado pra gente viver sem dor", palavras de Raul.
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by POPS
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15.4.09

Óculos

Tinha um cordão marrom e já parecia um artefato vivo, cheio de escamas que contavam minuciosas estórias. Movia-se na esfera atômica sob um céu de nuvens, látex, plástico, cobre ou qualquer que fosse aquela matéria estranha. Era triste, parecia póstumo, plural, aquele objeto morno, esquecido: óculos.

Contava histórias...Tantas histórias suportadas, sorrisos de cílios, dança de sobrancelhas, músculos faciais atentos, suspiros de estagnação e tédio, sol vigorante, e chuva fina de cidade grande, seres móveis, pensantes, bocas sonâmbulas, ósculos apaixonados. Ah, tudo estava contido ali, naqueles óculos morenos de ferrugem.

Objeto vivo, pensante (como saberemos?). Os óculos não falam, são nobres porque sabem guardar segredos, passado, presente e lentes que verão o futuro. Guardavam o mundo refletido em seus espelhos, eram tristes e atados a um cordão de látex coagulado. O cordão era vagabundo, mas os óculos eram sábios... Pareciam árvores do cerrado, eram óculos morenos, para olhos morenos e doíam.

Que mistério guardariam as lentes daqueles óculos, noivos de tantos globos oculares, plasmas e íris pusilânimes que acarinhavam as almas! Córneas úmidas, fluviais, plúmbeas, frágeis de sensações. Os olhos se fecham e as lentes continuam a tudo observar. Lentes e olhos são oráculos, bem sabem que o ser que vive gosta mesmo é da luz parindo no escuro de tudo (para aclarar o breu das almas?). E como era forte o segredo da luz!

Aqueles óculos sabiam as respostas. Aquilo que somos humanos demais para entendermos eles sabiam mudos. As lentes ouviram o destino infeliz de uma Eva inútil, e viram as rodas que esmagaram o verme-estrela em sua hora. Os óculos teriam visto vênus, serpentes, formigas, poros grossos, poeiras, poetas, construções cinzentas, sóis, céus e estrelas. Teriam guiado cavaleiros e suas malas, guerras e suas ideologias furadas, cirandas, faces da roleta viva onde giram mil caras. Aqueles óculos ouviram atentos na taverna, os risos e promessas das bruxas bêbadas e o caderno marrom, apoiado no cimento frio, as lentes conspiraram sobre amor perdido (ou amor achado?) e depois vislumbram taciturnos o mais maldito dos poetas morrendo por tédio da vida, ou por loucura, e a flor de Liz com seu cigarro que queimou para sempre nos olhos que se fecharam para a luz... e depois claricearam todas as coisas.

Os óculos viram Dean e Sal aflitas, embucetadas no pátio dos vagabundos a se perguntarem sobre o passado de uns óculos achados (ou perdidos?)

...e viram a dor líquida da menina que não sabia chorar de alegria...










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À Jana.